Saturday, August 23, 2008

O comércio no semáforo

Voltando para casa, parei no sinal e, como e muitos outros pontos da cidade, lá estava um baleiro correndo atrás dos carros, tentando aproveitar aquele curto espaço de tempo para garantir o seu sustento.

Um pacote foi colocado no meu retrovisor e ele logo correu para recolher os outros ou, se tivesse sorte, receber o valor referente a ele: R$1,00.

Enquanto ele corria, fiquei pensando no valor que teria aquela quantia para ele. Vender balas no sinal de trânsito significava não roubar, não ser obrigado a vender drogas... significava uma maneira digna de se sustentar. Fiquei feliz por ele ter escolhido o trabalho e não a vida do crime. Pensei em ajudar, doar o dinheiro e não pegar as balas, e então ele poderia vendê-las a uma outra pessoa que pagaria com a mesma quantia. Na verdade eu não desejava as balas, mas eu queria ajudar...

No final, eu percebi que não havia comprado aquele pacote de balas, que iria durar muitos dias no meu caro até encontrar alguém que as desejasse... Naquele dia eu nã comprei as balas. Comprei o sorriso do baleiro, pagando com umm pouco de dignidade.


Junto com as balas, uma mensagem...

"Bem-aventurado é aquele que em meio às dificuldades, não cruzou os braços. E com o suor do teu rosto leva o sustento para casa.
Vá em paz, que Deus te abençoe.
Obrigado."

E, enfim, eu tive a certeza de ter feito o julgamento correto.

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