Friday, August 29, 2008

Como NÃO tratar os vizinhos...

Olhar de mosca - O mundo em 360 graus

É hora de viajar, mas sem sair da frente do computador...

"Em matéria de fotografia, estes endereços são espetaculares, são ótimos para viajarmos, sem sair de casa. Deverão ser visitados com bastante tempo, sem pressa, imaginando estar no lugar, olhando para qualquer lado, prá cima, prá baixo, perto ou longe; bastando clicar nos botões disponíveis."
Yara.

www.br360.com.br

www.coolview.com.br


Obrigado pela dica...

Thursday, August 28, 2008

Cidadão do mundo

Minha tribo sou eu
Zeca Baleiro

eu não sou cristão
eu não sou ateu
não sou japa não sou chicano
não sou europeu
eu não sou negão
eu não sou judeu
não sou do samba nem sou do rock
minha tribo sou eu

eu não sou playboy
eu não sou plebeu
não sou hippie hype skinhead
nazi fariseu
a terra se move
falou galileu
não sou maluco nem sou careta
minha tribo sou eu

ai ai ai ai ai
ié ié ié ié ié
pobre de quem não é cacique
nem nunca vai ser pajé

Wednesday, August 27, 2008

Seja verde

No dia-a-dia, suas decisões realmente fazem a diferença
Por Mary Atkins



1 - Em banheiros públicos, é melhor usar toalha de papel ou secador elétrico?

Opte pelo ar quente. A energia necessária para aquecer o ar é menor do que a utilizada para fabricar e transportar toalhas de papel, e para jogar fora o lixo produzido. Um estudo realizado nos Estados Unidos mostra que, por ano, nove árvores são derrubadas para fornecer toalhas de papel a uma lanchonete de médio porte; e as toalhas usadas formam 450 kg de lixo. Além de menos prejudicial ao meio ambiente, o secador de mãos elétrico também é mais higiênico. Médicos da Universidade de Ottawa, no Canadá, afirmam que o ar quente penetra nos poros, matando germes com mais rapidez.


2 - Devo lavar louça manualmente ou usar uma lavadora?

De acordo com Tanya Ha, autora de Greeniology (“Verdeologia”), a lavagem à moda antiga consome entre 15 e 20 litros de água. “Mas a quantidade aumenta consideravelmente se você enxágua a louça debaixo da torneira aberta”, acrescenta. Uma pesquisa feita pelo Programa de Transformação do Mercado, do governo britânico, mostra que lava-louças limpam melhor e usam cerca de 75% menos água. O segredo é ter um modelo moderno. As lava-louças de hoje consomem cerca de 95% menos energia do que as máquinas de 30 anos atrás, afirma Tanya Ha. Os modelos mais antigos chegam a usar até 90 litros de água num ciclo completo; já os mais modernos, de duas gavetas, podem consumir apenas nove litros. Para ser mais ecológico, junte louça suja suficiente para lotar a máquina.


3 - Devo lavar roupa numa máquina com centrífuga frontal ou horizontal?

As máquinas de lavar com centrífuga frontal ganham facilmente. As de centrífuga horizontal têm ciclos mais rápidos, mas consomem muito mais água, energia e sabão em pó. Ao comprar uma máquina nova, preste atenção às etiquetas com informações sobre consumo de água e energia. E escolha uma de tamanho adequado às suas necessidades. Você também pode tornar a sua lavadora mais econômica. Limpe o filtro com freqüência, utilize o mínimo possível de sabão, prefira água fria à quente, e junte roupa suja para usar a capacidade total da máquina.


4 - O que devo jantar hoje?

Como tudo o que você faz, o que escolhe para comer tem grande impacto sobre o meio ambiente, diz Rebecca Blackburn, autora de Green is good: smart ways to live well and help the planet (Verde é bom: maneiras inteligentes de viver bem e ajudar o planeta). “A agricultura utiliza mais recursos do que qualquer outra atividade: dois terços das terras da Austrália, por exemplo, e mais de dois terços da água. Essa atividade produz também um quinto das emissões de gases causadores do efeito estufa”, afirma a escritora. De fato, um terço da emissão média de dióxido de carbono por pessoa ocorre por causa do consumo de alimentos de origem animal. Será que devemos nos tornar vegetarianos? Se você cortar 3 kg de carne vermelha de seu consumo anual, isso será equivalente a reduzir pela metade o consumo de água em sua casa!


5 - Acender e apagar lâmpadas fluorescentes aumenta o consumo de energia?

Não é verdade. Novas informações sugerem que essa prática não encurta a vida útil das lâmpadas nem causa desperdício de energia. As lâmpadas fluorescentes compactas são versões mais econômicas das mais compridas, que costumávamos instalar em banheiros e nas áreas de serviço. A fabricante Osram lançou uma lâmpada chamada Endura, que tem uma durabilidade de até 60 mil horas. Isso equivale a uma vida útil de até 14 anos.


6 - No supermercado, devo fazer uma compra grande (mensal ou quinzenal) ou pequenas compras a intervalos menores?


Segundo a Embrapa Agroindústria de Alimentos, só de frutos frescos, o brasileiro desperdiça cerca de 2,2 bilhões de dólares por ano. Não é só o dinheiro que está sendo desperdiçado, mas os recursos utilizados para produzir os alimentos. “Verifique o que há na sua geladeira antes de ir ao supermercado e preste atenção aos alimentos que foram jogados fora e por que você não os consumiu”, sugere Rebecca. Faça uma compra mensal de produtos duráveis e não-perecíveis, mas compre frutas e legumes frescos a cada dois ou três dias, para evitar que estraguem em sua casa.


7 - Carros flex são tão melhores do que os carros convencionais, pequenos e econômicos?

“Escolha o menor carro que puder e opte por aquele que consome menos combustível”, diz Rebecca. “Você pode contribuir positivamente para o meio ambiente sem comprar um flex”, acrescenta ela. “Se a questão é economizar, talvez seja melhor gastar o dinheiro extra que você usaria num flex na compra de um sistema de aquecimento solar de água, de aparelhos de baixo consumo de energia e filmes para escurecer os vidros das janelas de sua casa.”


8 - O que é melhor: cortinas ou persianas?

Quando se trata de manter a casa protegida do sol e do calor, as cortinas ganham facilmente. As persianas não vedam nem a entrada nem a saída do calor. Já uma cortina bem fechada e alinhada, indo até o chão, reduz em até um terço a perda de calor, no inverno. E, no verão, para se proteger do forte calor, instale venezianas ou toldos. Filmes para vidros de janelas dão alguma proteção no verão, mas são menos eficientes do que as persianas e outras instalações externas, além de não evitarem a perda de calor no inverno.


9 - Para os bebês, o que é melhor: fraldas descartáveis ou de pano?

Aqui pode dar empate. Vários estudos independentes – que levaram em conta todos os fatores ambientais, como a utilização de matéria-prima e de energia, a poluição do ar e da água, e mesmo o lixo – concluem que os dois tipos de fraldas têm quase o mesmo impacto sobre o meio ambiente. A questão que vai determinar a escolha dos pais deve considerar a praticidade e a despesa.


10 - Devo reaproveitar embalagens de água?

Os brasileiros beberam, só em 2007, cerca de 6,8 bilhões de litros de água mineral engarrafada. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Águas Minerais, só recentemente a utilização de PET reciclado para embalagens de bebidas e alimentos foi autorizada pela Anvisa. Portanto, essas embalagens ainda não estão disponíveis no mercado. Do total de plásticos produzidos no Brasil, só reciclamos 15%. O restante acaba mesmo nos lixões. Em relação à água filtrada em casa, não há custos de transporte nem emissão de gás carbônico.



11 - Água aquecida pelo sol e painéis solares: qual a
diferença?


As pessoas costumam confundir a energia solar térmica (aquecimento de água) e a solar fotovoltaica (geração de eletricidade). A primeira é promissora para o Brasil, pois existe uma vantagem econômica em empregar o aquecimento solar em substituição ao uso do gás ou da eletricidade.
A Prefeitura da cidade de São Paulo, por exemplo, tornou obrigatória a instalação de coletores solares. Os bancos estão proporcionando linhas de crédito para este tipo de instalação (veja no site www.solarbrasil.com.br).
A energia solar fotovoltaica não é tão simples. Além de mais cara, não há regulamentação, incentivos fiscais ou financiamento competitivo para sua aquisição. Cerca de 90% das instalações fotovoltaicas no Brasil estão em locais onde a única forma de energia utilizada é esta. O desafio agora é atender a população.


12 -Pilhas recarregáveis ou descartáveis?

Recarregáveis, claro. Elas funcionam melhor no bolso, também. Em média, um pacote com duas pilhas AA recarregáveis custa R$ 20,00. Duas pilhas comuns custa em média R$ 5,00, mas você pode utilizar as recarregáveis cerca de mil vezes. E, para quem acha que pilhas e baterias recarregáveis levam muito tempo para recarregar, um lembrete: você já utiliza baterias recarregáveis no celular e no laptop.


13 - Devo transformar restos de comida em adubo ou jogá-los no lixo?

Até 50% do lixo doméstico é composto de sobras de alimentos, que poderiam ser transformadas em adubo. Mantenha uma pequena lixeira de plástico na cozinha (ou use uma panela de aço inoxidável) e forre-a com jornal para facilitar a retirada do lixo depois. Você pode produzir adubo com o que quiser: óleo vegetal, saquinhos de chá, pó de café, poeira retirada do aspirador, cascas de ovos, fios de cabelo, papéis e cartolinas rasgados, e até arranjos de flores secas. Quando a lixeira ficar cheia, leve-a para ajudar a adubar um parque ou para a casa de um amigo que tenha jardim.


Texto original

Saturday, August 23, 2008

O comércio no semáforo

Voltando para casa, parei no sinal e, como e muitos outros pontos da cidade, lá estava um baleiro correndo atrás dos carros, tentando aproveitar aquele curto espaço de tempo para garantir o seu sustento.

Um pacote foi colocado no meu retrovisor e ele logo correu para recolher os outros ou, se tivesse sorte, receber o valor referente a ele: R$1,00.

Enquanto ele corria, fiquei pensando no valor que teria aquela quantia para ele. Vender balas no sinal de trânsito significava não roubar, não ser obrigado a vender drogas... significava uma maneira digna de se sustentar. Fiquei feliz por ele ter escolhido o trabalho e não a vida do crime. Pensei em ajudar, doar o dinheiro e não pegar as balas, e então ele poderia vendê-las a uma outra pessoa que pagaria com a mesma quantia. Na verdade eu não desejava as balas, mas eu queria ajudar...

No final, eu percebi que não havia comprado aquele pacote de balas, que iria durar muitos dias no meu caro até encontrar alguém que as desejasse... Naquele dia eu nã comprei as balas. Comprei o sorriso do baleiro, pagando com umm pouco de dignidade.


Junto com as balas, uma mensagem...

"Bem-aventurado é aquele que em meio às dificuldades, não cruzou os braços. E com o suor do teu rosto leva o sustento para casa.
Vá em paz, que Deus te abençoe.
Obrigado."

E, enfim, eu tive a certeza de ter feito o julgamento correto.

Tuesday, August 12, 2008

14 decisões que fizeram história

Existem decisões cujos efeitos são sentidos por anos, às vezes, décadas. São medidas capazes de redefinir os rumos de empresas e de economias inteiras. EXAME consultou 13 consagrados economistas e políticos brasileiros - nomes como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os economistas Claudio Haddad e Eduardo Giannetti da Fonseca - para chegar a uma lista de 14 medidas que fizeram história nos últimos 40 anos - e que continuam a ter impacto ainda hoje. Os episódios citados, não por acaso, envolvem grandes inovações tecnológicas, lufadas liberalizantes e a consciência - às vezes visionária - de que fazemos parte de um mundo, para usar o termo cunhado pelo americano Thomas Friedmann, plano. Cada uma à sua maneira, essas decisões ajudaram a desenhar a nova face da economia do país. Seus efeitos estão presentes hoje - e deverão ser sentidos.

Por Serena Calejon

1969 - O governo militar cria a Embraer
A Embraer, quarta maior fabricante de aeronaves do mundo, nasceu por decreto. Em agosto de 1969, o presidente Arthur da Costa e Silva determinou o início da produção do modelo Bandeirante, um barulhento turboélice, em São José dos Campos, no interior de São Paulo. O principal objetivo era fornecer aviões para o Exército, mas logo o Bandeirante passou a compor a frota de companhias aéreas, como Vasp e Transbrasil. Primorosa em tecnologia, a Embraer chegou aos anos 90 à beira da falência com uma estrutura de pessoal pesada e uma série de modelos ultrapassados. Em dezembro de 1994, o grupo comandado pelo Bozano, Simonsen e pelos fundos de pensão Previ e Sistel arrematou a empresa na privatização. O executivo Maurício Botelho, presidente da Embraer desde então, protagonizou uma espetacular recuperação -- em 2006, o faturamento da empresa superou 3 bilhões de dólares. Em abril, Botelho passará o comando da operação para Frederico Fleury Curado, que fez carreira na companhia. Atualmente, a Embraer é um dos exemplos mais pujantes do avanço de empresas de países emergentes em setores até pouco tempo atrás dominados por concorrentes do mundo desenvolvido. No segmento de jatos para aviação regional, a companhia disputa a liderança mundial com a canadense Bombardier. "Hoje a Embraer projeta o Brasil em todo o mundo num setor de tecnologia de ponta", diz o economista Claudio Haddad, presidente do Ibmec São Paulo.

1973 - A semente do agronegócio brasileiro
Em 2006, o Brasil produziu 117 milhões de toneladas de grãos -- mais que o triplo da produção registrada no início dos anos 70. Poucas decisões foram tão cruciais para essa gigantesca multiplicação quanto a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em 1973. Um dos principais feitos da estatal foi a adaptação às condições locais de certas culturas, como a da soja -- típica de climas temperados. Outra conquista foi a viabilização agrícola do cerrado, uma região de solo ácido e arenoso, originalmente impróprio até mesmo para o plantio de um pé de alface. Hoje metade da produção da soja brasileira vem dessa região. No ano passado, a Embrapa recebeu o maior orçamento de toda sua história: 1 bilhão de reais. Mesmo assim, o valor é insuficiente. Com estudos em áreas que envolvem tecnologias cada vez mais caras, seus cientistas passam cerca de 60% do tempo buscando dinheiro em parcerias com o setor privado.

1975 - O início do Proálcool
O mundo mal se recuperava do primeiro choque do petróleo quando o então presidente Ernesto Geisel lançou o Programa Nacional do Álcool, o Proálcool, para livrar o Brasil da dependência da gasolina estrangeira. Durante um período de quase dez anos, o governo brasileiro investiu 16 bilhões de dólares em pesquisas genéticas para melhoria da cana-de-açúcar, subsídios ao preço do álcool e financiamento de máquinas agrícolas a juros baixos. Nos anos 80 e 90, a queda do preço do petróleo e o aumento da cotação do açúcar no mercado mundial esfriaram a produção e a venda de etanol no país. O Proálcool morreu sufocado na politicagem, no favorecimento de grupos pouco competitivos e na descrença do consumidor. Três décadas mais tarde, a tecnologia desenvolvida graças à decisão tomada durante o governo Geisel ajudou a colocar o Brasil na vanguarda dos países produtores de etanol, considerado hoje um dos sucessores do petróleo como matriz energética em todo o planeta. A venda de etanol no Brasil movimentou 6,2 bilhões de dólares em 2006 e a expectativa é que esse valor alcance 15 bilhões de dólares em 2010. O setor hoje atrai olhares e dólares de investidores de todo o mundo.

1977 - A Petrobras vai ao mar
Criada em 1953, durante duas décadas a Petrobras só extraiu petróleo em terra firme. Em 1977, deu uma guinada em sua estratégia e passou a explorar comercialmente o campo de Enchova, na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, a uma profundidade de 120 metros -- um passo que exigiu anos de pesquisa. À época, a decisão foi vista como temerária, devido aos elevados custos do projeto e aos riscos e complexidade de uma operação em alto-mar. Hoje a Petrobras é referência mundial em tecnologia de exploração e produção em águas profundas. Quase 80% da produção nacional de petróleo vem da exploração marítima, em operações que chegam a 1 500 metros de profundidade. Se não tivesse optado por entrar nesse mercado duas décadas atrás, dificilmente a Petrobras teria conseguido garantir a auto-suficiência brasileira na produção de petróleo, um feito alcançado em 2006.

1980 - A era do dinheiro eletrônico
No início da década de 80, o setor financeiro estava entre os poucos que conseguiam crescer em meio à crise econômica que freava o país. E foi justamente nessa época que o Brasil entrou na era do dinheiro eletrônico, aproveitando tecnologia nacional. Duas instituições disputavam a liderança na corrida eletrônica: Itaú e Bradesco. Em setembro de 1980, o Itaú inaugurou a primeira agência informatizada, ligada eletronicamente a um computador central. No mesmo ano, o Bradesco apresentou sua inovação: um terminal eletrônico de consultas para clientes. O movimento era a gênese de uma ruptura tecnológica que levou os bancos brasileiros à condição atual de modelo de sofisticação em automação bancária no mundo. Para os clientes, o mundo mudou. A rede que interligava as agências permitia um feito até então impensável: sacar dinheiro ou fazer depósitos em qualquer agência de seu banco -- e não apenas onde o cliente tinha conta aberta. Hoje o que está em jogo é quem será o primeiro a levar as transações bancárias para o celular. O Banco do Brasil saiu na frente quando passou a oferecer, em meados de 2004, o mobile banking, serviço de consulta de saldos e transferências entre contas pelo celular. O próximo passo é transformar o celular em meio de pagamento em estabelecimentos comerciais.

1990 - O país se abre para o mundo
Nos anos 70, o governo militar brasileiro exacerbou barreiras enormes às importações no esforço de desenvolver a indústria nacional. A medida protegeu artificialmente uma série de empresas com um nível de eficiência inferior em relação ao resto do mundo -- o que prejudicou o consumidor brasileiro e limitou a capacidade de atuação dessas companhias no mercado global. Em 1990, o então presidente Fernando Collor tomou aquela que foi provavelmente a única resolução que o faria ser lembrado de maneira positiva -- a liberalização das importações. "Ele foi o responsável, na ocasião, mas o país estava maduro para a decisão de abrir a economia", diz o economista Roberto Teixeira da Costa. A abertura, nos anos 90, representou um choque de realidade para as empresários brasileiros que prosperaram dentro de uma bolha que os isolava do mundo. Algumas empresas morreram, outras foram vendidas. Muitas das que sobreviveram ao tranco tornaram-se competitivas mundo afora. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ao longo dos anos 90 a produtividade da indústria brasileira cresceu quase 8% ao ano. A abertura econômica, porém, é um processo que ainda não terminou. "Ainda temos muito trabalho pela frente", diz Eustáquio Reis, diretor do Ipea. Segundo estudo do instituto, alguns setores ainda são protegidos com mais de 100% de taxação.

1994 - O plano real e o fim da hiperinflação
Poucos acreditaram que daquela vez era para valer. No final de fevereiro de 1994, o presidente Itamar Franco bateu o martelo no lançamento de mais um entre os inúmeros pacotes de medidas econômicas contra a hiperinflação que assombrava o país havia vários anos. A despeito do descrédito inicial, o Plano Real finalmente acabou com uma inflação que no ano anterior atingira assustadores 2 567% (algo quase inimaginável hoje, com uma inflação anual de 3,14% em 2006). O mecanismo do plano foi criar um novo indexador para a economia, com valor atrelado ao dólar: a unidade real de valor, a URV. Alguns meses depois, a URV teve seu nome trocado para Real e a nova moeda passou a circular fisicamente pelo país. O Cruzeiro Real foi extinto. "A tomada de decisão foi um momento difícil, porque alguns ministros achavam que o Plano Real traria perda salarial", diz o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda e mentor do Real. Com o fim da cultura de inflação, o Brasil pôde postular um lugar no grupo das economias civilizadas. A estabilidade se transformaria na base de todos os progressos feitos pela economia brasileira a partir de então.

1994 - A construção de uma marca global
Desde que foram lançadas, em 1962, as sandálias Havaianas ficaram conhecidas pelo popular bordão "Não deforma, não tem cheiro, não solta as tiras". Em 1994, a São Paulo Alpargatas, fabricante das Havaianas, decidiu que era hora de dar um upgrade na imagem da popular sandália de borracha e lançou uma linha monocromática, com design sutilmente diferente. O produto saiu dos balcões do pequeno comércio e partiu para o grande varejo. O movimento foi o embrião do estrondoso sucesso que as Havaianas fazem hoje não só no Brasil mas também no exterior. Desde o ano 2000, as Havaianas são exportadas para todo o mundo e se tornaram uma das raras marcas nacionais a ter projeção internacional. Celebridades como Angelina Jolie, Jennifer Aniston e Kate Hudson já foram flagradas com o chinelinho nos pés. Só no ano passado, foram exportados 18 milhões de pares. Segundo pesquisa da Interbrand, consultoria especializada em marcas, em 2006 as Havaianas se tornaram o produto brasileiro mais popular no exterior, desbancando a mítica seleção de futebol.

1998 - O novo jogo das telecomunicações
O leilão do Sistema Telebrás, realizado em julho de 1998, arrecadou no total 22 bilhões de reais na venda de 12 concessões de operação. A venda das ineficientes prestadoras de serviço de telefonia estatais acabou com as intermináveis filas (a instalação de uma nova linha levava anos) e os valores astronômicos antes cobrados por uma simples linha telefônica (que chegavam a valer até 4 000 dólares). "Todos os setores foram extremamente beneficiados, porque cada vez mais as empresas precisam trafegar dados", diz Mauro Peres, diretor de pesquisa da consultoria IDC Brasil, especializada em tecnologia da informação e telecomunicações. "Hoje o país tem uma boa estrutura de telecomunicações e isso ajudou a aumentar a produtividade das pessoas e das empresas."

A dimensão do avanço impressiona quando se observa, por exemplo, a quantidade de pessoas com acesso à internet -- que passou de 480 000 em 1998 para 35 milhões atualmente. A proporção de telefones fixos era de 12 por 100 habitantes. Hoje é de 27. O volume de usuários de telefone celular é ainda mais vultoso -- 100 milhões de aparelhos em funcionamento no Brasil. "Sem a abertura, seguramente estaríamos falando em, no máximo, 10 milhões de usuários de celular", diz Peres.

1999 - Entramos na era das fusões
A fusão das cervejarias Brahma e Antarctica, que deu origem à Ambev, foi um dos movimentos mais inesperados e simbólicos do ambiente brasileiro de negócios. Primeiro porque uniu sob um mesmo teto inimigos aparentemente inconciliáveis. Segundo porque colocou o Brasil na era das grandes fusões, um período no qual se buscam escala e competitividade globais. A Ambev nasceu gigantesca, com faturamento consolidado de 8,4 bilhões de dólares em 1998 e ocupando o posto de terceira maior indústria cervejeira do mundo, atrás da americana Anheuser-Busch (fabricante da Budweiser) e da holandesa Heineken. Logo os sócios da Ambev -- o lendário trio formado pelos ex-banqueiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira -- extrapolaram as fronteiras do mercado brasileiro para protagonizar a consolidação mundial do setor. Em 2004, a Ambev associou-se à sétima maior cervejaria do mundo, a belga Interbrew, numa arrojada troca de ações. Seus sócios transferiram o controle da cervejaria para a Interbrew e, em troca, levaram 25% da nova empresa. A Inbev acabou por incorporar os princípios de gestão que marcaram a Brahma (sobretudo a meritocracia e a obsessão com corte de custos). Hoje é a maior cervejaria do mundo.

2000 - A onda verde
No começo da década, a palavra "sustentabilidade" ainda não fazia parte do dicionário da maioria dos homens de negócios. Hoje, sobretudo com os temores gerados pela ameaça do aquecimento global, nenhum empresário ou executivo ignora o tema -- ainda que não se saiba exatamente quais serão os efeitos de uma mudança climática. A Natura, umas das maiores empresas de cosméticos do país, despontou como uma das primeiras a buscar a adaptação de seu modelo de negócios ao conceito de sustentabilidade. Um dos marcos desse movimento foi o lançamento, em agosto de 2000, da linha de cosméticos Ekos, produzida com matéria-prima brasileira desenvolvida junto a comunidades que habitam o interior do país. As diretrizes que nortearam a criação da Ekos -- uso da biodiversidade brasileira, sustentabilidade ambiental e social e aproveitamento das tradições populares -- apareciam pontualmente na empresa desde os anos 90. A postura "social e ecologicamente correta" acabou por se tornar um trunfo junto aos investidores. A Natura foi uma das primeiras brasileiras a compor índices de sustentabilidade, como o Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa, criado no final de 2005.

2000 - A Bovespa se rende à governança
A criação de três segmentos de listagem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), destinados a empresas que adotam práticas m
ais rígidas de governança corporativa, em dezembro de 2000, representou a entrada do mercado de capitais brasileiro numa nova era em que as pressões por transparência são cada vez maiores. O Novo Mercado e os Níveis 1 e 2 de governança foram desenvolvidos pela Bovespa com base em um estudo realizado pelos economistas José Roberto Mendonça de Barros, José Alexandre Scheinkman, Luiz Leonardo Cantidiano e Antonio Gledson. Em fevereiro de 2002, a administradora de rodovias CCR se tornou a primeira empresa a fazer sua oferta pública inicial no Novo Mercado. De lá para cá, não só cada vez mais empresas aderiram ao Novo Mercado, como a Bovespa viu um ritmo sem precedentes de ofertas públicas iniciais (IPO na sigla em inglês). Se entre 1999 e 2003 apenas quatro empresas abriram seu capital -- inclusive a CCR, na época a única no Novo Mercado -- entre 2004 e março de 2007 esse número foi multiplicado por 10. No total foram 50 IPOs -- dos quais apenas dois no pregão tradicional. O chamado IGC (Índice de Governança Corporativa), que mede o desempenho das empresas listadas nos segmentos especiais, cresceu a uma taxa média de 49,8% ao ano entre 2002 e 2006, enquanto no mesmo período o Ibovespa valorizou 40,9%.

2002 - Lula derruba o mito
Às vésperas das eleições presidenciais de 2002, o banco de investimentos americano JP Morgan atribuiu ao Brasil um risco-país de mais de 2 000 pontos, um dos piores de todos os tempos. O país chegou ao mesmo patamar de países como Equador e Nigéria. A possibilidade da eleição do candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva deixou o mercado à beira da histeria. O mito do calote fez ressurgir o fantasma da ameaça da hiperinflação. O cenário era de caos. "O PT, no passado, tinha um discurso de ruptura e ameaça", diz o economista Eduardo Giannetti da Fonseca. "Mas ao chegar ao poder foi tomado de um sentido de responsabilidade que o levou a preservar os aspectos que devem transcender a disputa partidária." Lula manteve a política econômica do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso e consolidou a estabilidade econômica. Para os negócios no país, a manutenção foi fundamental. Evitou uma eventual fuga de investimentos que poderia ter tido conseqüências desastrosas para a economia. Hoje, o risco-país mantém um dos níveis mais baixos de sua história.

2006 - Empresas cada vez mais globais
O anúncio da compra da canadense Inco, a maior produtora de níquel do mundo, pela Companhia Vale do Rio Doce, em outubro de 2006, coroou a maior expansão já empreendida por uma companhia brasileira no cenário internacional. A aquisição, que envolveu quase 18 bilhões de dólares, representa o maior negócio protagonizado por uma empresa sediada no Brasil em toda a história e tornou a Vale a segunda maior mineradora do planeta. Desde 2001, quando assumiu a presidência da Vale, o executivo Roger Agnelli comandou 15 aquisições -- uma média de três por ano. As vendas da companhia crescem em uma velocidade fabulosa. Entre janeiro e setembro de 2006, as receitas chegaram a 18 bilhões de dólares, considerando a incorporação da Inco -- quase o dobro em relação ao mesmo período do ano anterior.

A história do crescimento da Vale começa em 1997, após a privatização. Embora fosse uma exceção entre uma montanha de estatais ineficientes, a empresa tinha seu futuro comprometido pelas burocracias impostas pelo governo. De lá para cá as vendas aumentaram duas vezes e meia, o valor de mercado cresceu oito vezes e os lucros se multiplicaram por 13. O mais importante -- o Brasil entrou com o pé direito num dos setores mais estratégicos da indústria de base em todo o mundo.


Fonte: Exame, edição 889, de 28/03/2007

Globalização e Nacionalismo


O cidadão norte-americano


O cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional, antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão, cuja planta se tornou doméstica na Índia; ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro domesticados no Oriente Próximo; ou de seda, cujo emprego foi descoberto na China. Todos esses materiais foram fiados e tecidos por processos inventados no Oriente Próximo. Ao levantar da cama faz uso dos “mocassins” que foram inventados pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos e entra no quarto de banho cujos aparelhos são uma mistura de invenções européias e norte-americanas, umas e outras recentes. Tira o pijama, que é vestiário inventado na Índia e lava-se com sabão que foi inventado pelos antigos gauleses, faz a barba que é um rito masoquístico que parece provir dos sumerianos ou do antigo Egito.

Voltando ao quarto, o cidadão toma as roupas que estão sobre uma cadeira do tipo europeu meridional e veste-se. As peças de seu vestuário tem a forma das vestes de pele originais dos nômades das estepes asiáticas; seus sapatos são feitos de peles curtidas por um processo inventado no antigo Egito e cortadas segundo um padrão proveniente das civilizações clássicas do Mediterrâneo; a tira de pano de cores vivas que amarra ao pescoço é sobrevivência dos xales usados aos ombros pelos croatas do séc. XVII. Antes de ir tomar o seu breakfast, ele olha ele olha a rua através da vidraça feita de vidro inventado no Egito; e, se estiver chovendo, calça galochas de borracha descoberta pelos índios da América Central e toma um guarda-chuva inventado no sudoeste da Ásia. Seu chapéu é feito de feltro, material inventado nas estepes asiáticas.

De caminho para o breakfast, pára para comprar um jornal, pagando-o com moedas, invenção da Líbia antiga. No restaurante, toda uma série de elementos tomados de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Começa o seu breakfast, com uma laranja vinda do Mediterrâneo Oriental, melão da Pérsia, ou talvez uma fatia de melancia africana. Toma café, planta abssínia, com nata e açúcar. A domesticação do gado bovino e a idéia de aproveitar o seu leite são originárias do Oriente Próximo, ao passo que o açúcar foi feito pela primeira vez na Índia. Depois das frutas e do café vêm waffles, os quais são bolinhos fabricados segundo uma técnica escandinava, empregando como matéria prima o trigo, que se tornou planta doméstica na Ásia Menor. Rega-se com xarope de maple inventado pelos índios das florestas do leste dos Estados Unidos. Como prato adicional talvez coma o ovo de alguma espécie de ave domesticada na Indochina ou delgadas fatias de carne de um animal domesticado na Ásia Oriental, salgada e defumada por um processo desenvolvido no norte da Europa.

Acabando de comer, nosso amigo se recosta para fumar, hábito implantado pelos índios americanos e que consome uma planta originária do Brasil; fuma cachimbo, que procede dos índios da Virgínia, ou cigarro, proveniente do México. Se for fumante valente, pode ser que fume mesmo um charuto, transmitido à América do Norte pelas Antilhas, por intermédio da Espanha. Enquanto fuma, lê notícias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. Ao inteirar-se das narrativas dos problemas estrangeiros, se for bom cidadão conservador, agradecerá a uma divindade hebraica, numa língua indo-européia, o fato de ser cem por cento americano.

LINTON, Ralph. O homem: Uma introdução à antropologia.

Exigências da vida moderna - quem agüenta tudo isso??

Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C.
Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.

Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água.
E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão).
Cada dia uma Aspirina, previne infarto.

Uma taça de vinho tinto também.
Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.
Um copo de cerveja, para… não lembro bem para o que, mas faz bem.
O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.

Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia.
E não esqueça de escovar os dentes depois de comer. Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax.
Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.

Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma. Sobram três, desde que você não pegue trânsito.
As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).

E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.

Ah! E o sexo. Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina.
Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo e nem estou falando de sexo tântrico.

Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. Na minha conta são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo!!!

Tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes.
Chame os amigos e seus pais.
Beba o vinho, coma a maçã e dê a banana na boca da sua mulher.

Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.

Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro.
E já que vou, levo um jornal…
Tchau….
Se sobrar um tempinho, me manda um e-mail.

Luís Fernando Veríssimo